17 de agosto de 2013

# O Tempo do Verbo

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“Era uma vez...” Assim começam as estórias que ouvimos quando crianças, a contarem aventuras vividas por personagens fictícios ou não. Esta frase, sobretudo à primeira vista, nos remete a um tempo passado, longínquo, vivido por alguém ou em face de algo, contudo, aquele instante parece que surgirá diante dos olhos de quem ouve; e, ainda que advindo de um espaço que nem sempre determinamos, contudo pode estar ao nosso redor, ali mesmo. Tudo isso carrega consigo uma carga de expectativa, marcada pela própria expressão, tanto que a ela se designou ser a abertura das portas da imaginação, e que por tantos contos, fruto da realidade.

“Agora eu era o herói...” Assim iniciou o compositor Chico Buarque, uma das letras de suas canções, poetizando e parafraseando a voz da criança que brinca, distorcendo o sentido do tempo, contraposto ao sentido adulto aonde sabemos que, agora, somente posso ser, e quando eu era, possivelmente, não o seja mais. Contudo, sendo esta a linguagem usada pela criança em seu momento mais lúdico, com uma carga de realidade inconteste, tem em si a existência daquilo que é criado, que de fato existe, incorpora-se e não se perde.




“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”. (Eclesiastes 3:1). Veja essa passagem do livro de Eclesiastes. Talvez seja “a mais exata epígrafe para as várias possibilidades do uso semântico dos tempos verbais e os seus propósitos explícitos e implícitos”, diz-nos um professor da língua portuguesa, natural da bela e literária cidade de Parati. E, continua o professor, "alguns tempos podem indicar valores e noções bem diversas das expressas nos tempos reais, permitindo-nos atingir com mais eficiência o propósito daquilo que anunciamos".

Pegue, por exemplo, o dito no decálogo bíblico: "Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhuma obra”. (Êxodo 20:9-10). Perceba que o tempo verbal, futuro do presente do indicativo, é empregado para indicar uma ação em um tempo ainda não ocorrido, no entanto, aqui é utilizado com um valor equivalente ao imperativo (modo verbal que expressa mandamento).

Por que isso aconteceu por ocasião da língua original? Porque o mandamento é eterno. Cumpre dizer que seu emprego, com essa nuance, se mostra mais definitivo que o modo imperativo por si mesmo, ao que exemplifico a hipótese: “Trabalhes seis dias, e faças toda a tua obra, mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não faças nenhuma obra”.  Percebe que a mensagem perde sua força, tivesse sido escrita desta forma?

“No princípio criou Deus o céu e a terra. E, a terra era sem forma e vazia; o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. E disse Deus: Haja luz; e houve luz... Aquele que testifica estas coisas diz: Amém”. (Gênesis 1 -Apocalipse 22).

Shabbat Shalom !

adi Peregrino da Palavra
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Um comentário:

Fanzine Episódio Cultural disse...

REGULAMENTO DO “IX CONCURSO PLÍNIO MOTTA DE POESIAS”

A Academia Machadense de Letras (Machado-MG / Brasil) comunica a realização em novembro de 2013 de seu IX Concurso de Poesias. As inscrições encerram-se no dia 14 de outubro (2013). Para receber gratuitamente o regulamento em arquivo PDF, entre outras informações, favor entrar em contato através do e-mail: machadocultural@gmail.com

Obs (PS): O tema é livre e aberto a todos de Língua Portuguesa e Espanhola e a taxa de inscrição é de R$5,00 pode ser enviada dentro do envelope.

Favor verificar o recebimento do regulamento em pdf e jpeg. Estarei aqui para novos esclarecimentos. Caso sua poesia seja classificada e você não puder aparecer, a Academia indicará um membro para declamá-la.
O concurso será realizado no dia 09 de novembro, às 20:00hs no Anfiteatro da Prefeitura Municipal de Machado-MG.